sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Um poeta a (re)descobrir... Mário Cesariny

Pensamentos de Pessoa "Sou Já Meus Pensamentos Mas Não Eu"

Tornei-me uma figura de livro, uma vida lida. O que sinto é (sem que eu queira) sentido para se escrever que se sentiu. O que penso está logo em palavras, misturado com imagens que o desfazem, aberto em ritmos que são outra coisa qualquer. De tanto recompor-me destruí-me. De tanto pensar-me, sou já meus pensamentos mas não eu. Sondei-me e deixei cair a sonda; vivo a pensar se sou fundo ou não, sem outra sonda agora senão o olhar que me mostra, claro a negro no espelho do poço alto, meu próprio rosto que me contempla contemplá-lo.

Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Crónica de Antonio Pina (Jornal Noticias) sobre as palavras polémicas de Saramago aquando da apresentação do seu livro"Caim".

Saramago é crente


Saramago dizendo "Deus não é de fiar: é vingativo, é má pessoa" lembra-me as animadas conversas das empregadas domésticas nos autocarros a caminho do trabalho, revoltadas com a Ivone do "Caminho das Índias" e prontas para, dando com a actriz Letícia Sabatella na rua, tirarem desforço dela.

Saramago, afinal, é crente, e fundamentalista, levando a novela bíblica a peito e as "más práticas" de Deus (espécie de Ivone da Bíblia) à conta de literalidade. Não me admirava que, podendo, também o invectivasse ("Aquilo faz-se, meu malandro, mandar Abrãao matar Isaac?") e o espancasse se ele lhe aparecesse, como à Alexandra Solnado, no metro. Alguém que diga a Saramago que a Bíblia é um livro, uma narrativa (na verdade muitas e belíssimas narrativas, misturando verdade histórica e fábula), "escrita" há milénios por autor colectivo e anónimo a quem os cristãos, na parte que lhes toca, chamam Espírito Santo (como chamamos Homero a todos os gregos autores da "Odisseia"). Não é uma obra de História ou de Geografia, de Biologia ou de Astronomia. Era de supor que um romancista percebesse isso melhor que ninguém.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dobrada à Moda do Porto

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Daniel Pennac nasceu em 1944, na cidade de Casablanca, em Marrocos, numa família de militares. Passou sua infância em vários lugares da África e na Ásia do sudeste. Quando jovem, sua aprendizagem como estudante foi desastrosa. Depois de estudar letras em Nice, torna-se professor e começa a escrever histórias para crianças. Escritor generoso, pouco conhecido entre nós, ainda que existam livros seus em português, é autor de uma grande obra cheia de imaginação. O extracto que segue (“Comme un roman”) fala do objecto “livro” e da dificuldade que têm os jovens para ler.